set
28
2016

A RELAÇÃO AFETIVA COM O BOTECO

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Quando eu viajo, sempre procuro conhecer algum lugar que eu possa fazer comparações com outros que já fui ou que vou com frequência como restaurantes, praças, museus… e botecos!

Para vocês entenderem a minha relação com estes oásis da boemia, compartilho um texto meu que considero um dos melhores. É aquele que tenho um carinho mesmo, sabe? Com vocês:

A RELAÇÃO AFETIVA COM O BOTECO

Recentemente fui convidada para ir a um boteco. Até aí, nada de novo. O interessante é que fui convidada profissionalmente. Isso mesmo, descobri que sou uma profissional de boteco. Finalmente meu investimento em cerveja e petiscos foi reconhecido. Agora sou gabaritada, já que a ideia do convite era dar meu parecer sobre o novo cardápio de porções, de cervejas artesanais, o treinamento dos funcionários, etc.

Uma profissional da área deve ser generosa e passar para frente a experiência adquirida, então vamos lá. Eu, como todo bom botequeiro (eu escrevi certo, você que leu errado), temos nossas teorias de boteco depois de alguns goles. E uma das minhas teorias é de que sempre temos uma relação afetiva com certos botecos. Claro que uma pulada de cerca de vez em quando ou um amor platônico por algum lugar sempre existem, mas normalmente somos fiéis ao recinto amado. Mas como é construída essa relação?

Você pode pensar logo de cara que a primeira coisa que um bar deve ter é cerveja gelada. Concordo. Outros dirão que é o petisco, as porções, a comidinha de boteco que cativam o paladar. Concordo também. Mas eu vou além… até porque sou exigente. Um boteco para conquistar meu coração deve ter cerveja gelada, comida boa, ambiente agradável (mesmo que seja um pé-sujo) e o aquilo que todo mundo quer depois de um dia da-que-les: um ótimo, um excelente atendimento. Quem não gosta de um carinho depois de um dia difícil? De uma palavra amiga, um sorriso?

É, meu camarada, o garçom é o cara que vai te fazer esquecer até que a cerveja nem estava tão gelada assim, que o petisco nem estava tão ruim ou que o bar nem estava tão cheio e você teve que se sentar virado pra parede. Ele é o cara que se te chamar pelo nome você se sente o dono do bar. Se ele te atender com rapidez, te contar uma piadinha, te fazer sorrir… vai ganhar o seu afeto e você vai sim voltar sempre ao lugar achando que tem um amigo.

Ele vai te dar as dicas do cardápio, vai limpar a sua mesa pra que você se sinta confortável, vai trazer “aquela cerveja que estava lá embaixo do freezer” e no final, depois que você ficou um bêbado chato e parece que nunca mais vai embora, ele ainda vai estar com um sorriso no rosto e vai trazer mais uma cerveja… a da casa.

Por causa desse cara você adota até os mais sujos dos pés-sujos. Fica horas em pé com seu copinho na mão esperando uma mesa e, mesmo que a mesa nunca chegue, você termina seu líquido sagrado e vai pra casa feliz. Você tira foto com o garçom! Eu mesma tenho várias, com vários queridos meus. Por falar nisso, tenho saudades do Cláudio, do Riquelme, do Gegê… e do Alfredinho, que é o dono de um bar onde ele manda você mesmo pegar a sua cerveja na geladeira.

Enfim… é uma segunda-feira de manhã e estou aqui escrevendo sobre boemia e já pensando em qual amigo vou visitar assim que for socialmente aceitável ir ao boteco de novo. E, antes que eu me esqueça: um brinde ao bar e à amizade sincera! Fecha a conta e traz a saideira, por favor.

Por Débora Bordin

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Sobre o autor: Débora Bordin

Tenho mais (bem mais) de 30, sou jornalista (diplomada), radialista, blogueira, especialista em comunicação empresarial e de turismo sustentável, sagitariana, corintiana, matucha-pantaneira-carioca e turista. Apesar de tudo isso, uma boa moça.

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