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15
2012

O pantaneiro, o Pantanal e a saudade…

Pôr-do-Sol na Fazenda Caiman

O Pantanal é um lugar que chega a ser complicado de explicar. Tem que sentir, vivenciar, contemplar. O que posso fazer por quem ainda não foi é mostrar fotos, dizer umas palavras e deixar cada um tirar suas conclusões. Sou sul-mato-grossense então lá é meu quintal, assim como Bonito. E quando a gente ama o quintal ele tem um sabor diferente, de aconchego e de sorriso no rosto. Dá vontade de pegar todo mundo pela mão e levar lá pra ver de perto.

Débora no cavalo da Cacimba de Pedra

Muitos não consideram a capital, Campo Grande, como parte do Pantanal. Eu discordo, pois lá é possível ver araras passeando graciosamente pelas árvores no centro da cidade, garças descansando nos córregos, jacarés no Lago do Amor, capivaras atravessando as ruas (isso mesmo!). Mas o coração do Pantanal mesmo começa a bater nas cidades de Aquidauana, Miranda e finalmente em Corumbá, cidade que já falei aqui no blog. Entre essas cidades é que a natureza vibra com mais intensidade. Fauna e flora de tirar o fôlego.

Jacaré do Pantanal

Fora o cenário deslumbrante, ainda têm as pessoas! As pessoas que cuidam e amam o lugar como à própria vida. Por esses motivos, vou falar desses pantaneiros que você deveria conhecer quando for a esse lugar, que é um dos mais belos do mundo.

Débora e seu Geraldo

Começo então pelo seu Geraldo, senhorzinho que conheci na época de faculdade quando fui à base de pesquisas do Pantanal da UFMS, na região do Passo do Lontra próximo à Estrada Parque. Ele não vai te deixar sair sem ouvir sua viola, na verdade nem precisa pedir! Depois de 10 anos que saí da faculdade, dei de cara com a figura lendária no meio de uma estrada no Pantanal e fiquei emocionada com o encontro e o carinho com que ele me tratou. Ele jura que se lembra de mim, rsrs.

Cenário Fazenda Cacimba de Pedra (foto Débora Bordin)

Já no município de Aquidauana, tem o casal Rosaura Dittmar e Gerson Zahdi, donos de uma pousada deliciosa que ainda por cima tem criatório de jacarés, a Cacimba de Pedra/Reino Selvagem. Lá você tem o privilégio de comer pratos com a saborosa carne de jacaré, pegar filhotinhos na mão e ainda ouvir histórias apaixonadas da dona Rosaura sobre amor, o passado e a vida.  Ah! E tem o Cláudio, que trabalha na fazenda e é o tocador oficial de berrante. Imperdível.

Claúdio tocando berrante (foto Débora Bordin)

Em Miranda, vou falar de pessoas muito queridas que têm muito a falar e mostrar sobre o lugar. Uma delas é a Fátima Cordella, dona de uma pousada e operadora de turismo, a Águas do Pantanal. Como ela mesma diz, é uma dinossaura do turismo de Mato Grosso do Sul e, apesar de não ter nascido lá, é apaixonada pelo lugar e faz de tudo para que o turista se sinta bem na terra que ela adotou.

Baía Grande (foto Débora Bordin)
O outro mirandense que adoro é o queridíssimo Alexandre Costa Marques, dono da Fazenda Baía Grande que é um hotel fazenda maravilhoso no meio do Pantanal, com pesque e solte de piranhas! Contador de causos nato, ele é também uma das pessoas mais receptivas que já conheci.

Plantação de arroz na Fazenda San Francisco

Ainda em Miranda, você conhecerá a divertida e sorridente Beth Coelho. A fazenda dela, a San Francisco, foi transformada também em hotel e além dos tradicionais safáris que se faz nas outras propriedades citadas e não citadas, lá você pode fazer passeio de chalana e frequentemente tem festas com viola ao redor da fogueira. Divertidíssimo!

Placa entrada da Dona Maria do Jacaré
Outra figura emblemática do Pantanal é a dona Maria, que já foi até personagem de matérias de televisão. Ela “cria” jacarés na sua lanchonete que fica na beira da BR262, perto da entrada do Passo do Lontra, na direção de Corumbá. Na verdade ela cuida dos jacarés (eles têm até nome) que ficam na beira do rio e acabaram se acostumando com o carinho e com os muitos turistas que aproveitam para tirar fotos.

Vista aérea do Pantanal (foto: Takao Sato)
Poderia falar durante horas sobre esses e outros pantaneiros, como o pessoal lá do Refúgio Ecológico Caiman, sempre muito profissional e prestativo, o Bruno da Fazenda 23 de Março, o João Cardadeiro da Pousada Xaraés, o meu amigo Daniel Rondon do hotel Fazenda Barra Mansa… gente que me traz saudade do Pantanal.

E pra comemorar essa saudade boa, de bons momentos vividos, compartilho com vocês um vídeo de cantoria do seu Geraldo que achei na internet… Porque os que eu tenho estão em vhs (abafa), rsrs.

Ah! Você quer saber como chegar ao Pantanal Sul?
Vamos lá…

De carro:
A BR262 é a estrada que liga Campo Grande (capital) ao Pantanal. As fazendas e locais citados ficam no caminho, nas cidades de Aquidauana, Miranda, Corumbá… Chegando lá (ou mesmo antes) é melhor consultar um agente de viagens que vai te mostrar várias opções de destinos para sua escolha e te explicar direitinho como chegar aonde você quiser.

De ônibus:
Várias empresas de ônibus fazem o roteiro até as cidades pantaneiras. Sites como o www.rodoviariaonline.com.br podem te ajudar. De lá, você vai precisar de um transfer até o locar desejado. Então, consulte um agente de viagens que conheça o Pantanal, ele te mostrará o destino certo conforme sua preferência.

De avião:
As empresas Avianca, Azul, GOL,TAM e Trip operam em Campo Grande, onde você deve descer. Caso vá para Corumbá, tem opção de voos em dias determinados vindos de escala/conexão de Campo Grande. Reserve o transfer com sua agência de viagens que ele pode ir te buscar no aeroporto mesmo, caso você vá direto pro Pantanal.

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Sobre o autor: Débora Bordin

Tenho mais (bem mais) de 30, sou jornalista (diplomada), radialista, blogueira, especialista em comunicação empresarial e de turismo sustentável, sagitariana, corintiana, matucha-pantaneira-carioca e turista. Apesar de tudo isso, uma boa moça.

3 Comentários+ Comentar

  • Boa tarde!

    Gostei da matéria falando mais do Pantanal, onde se pode ver um cotidiano diferente destes de cidade grande, podendo fazer um passeio tranquilo e ver muita beleza natural. Faltou dizer mais sobre como chegar, como se deslocar até as principais cidades, especial para quem vai sem o carro. O endereço http://www.viagensonibus.com.br/ pode ser um exemplo do que estou falando.
    Um abraço,
    Vitor

    • Obrigada pela visita e pela sugestão, Vitor!
      Vou preparar as informações e insiro no post ;)
      Abração!

  • Adorei a matéria sobre o Pantanal e os Pantaneiros – gente muito enxuta e hospitaleira que adorei quando tive o prazer de por lá passar! Quando li o seu blog agora, Débora, Deus meu, bateu-me uma saudade daqueles dias que passei no Pantanal, quando a conheci!!! Como foi bom evocar aquelas personagens (conheci algumas delas) e fazendas onde passámos e onde fiquei (em algumas)! Ah, como é maravilhoso e tão único o Pantanal! Custa até explicar – como vc diz – tem de ver e experimentar, vivenciar mesmo.
    Obrigada por trazer-me o Pantanal à lembrança!!! Nunca na vida eu irei esquecer esses dias mágicos vividos bem no âmago do Pantanal, com uma natureza tão bela e exuberante e gente tão amável e sã – eu acho, aliás, que não há no mundo lugar nenhum igual ao Pantanal!! É verdade, também eu fiquei “pantaneira” de adopção desde então!
    Fique bem e curta a vida!
    Com abração de Lisboa!
    Isabel Palma

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